Reeleito presidente do Sindicato Rural de Anápolis, José Caixeta, fala à Tribuna de Anápolis acerca dos planos que tem para a entidade. Entre as novidades está a inclusão de Anápolis no circuito internacional de rodeio e a retomada das conversas que versam sobre a transferência do Parque Agropecuário para outro espaço. Sobre política, o ex-vereador ainda pretende a majoritária, mas defende permanência de João Gomes como nome à vice-prefeito na chapa de Gomide.
Como presidente reeleito do Sindicato Rural, qual a avaliação que o senhor faz do mandato anterior?
Procuramos fazer o melhor possível. Não conseguimos aquilo que estava fora das nossas limitações. Procuramos colocar o Sindicato à disposição dos produtores rurais e estender nossas ações para a sociedade anapolina porque neste espaço temos condições de desenvolvermos diversos trabalhos. Priorizamos uma parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás (Faeg), que é a nossa entidade maior, e com o Senai através do Programa de Capacitação Rural. Neste programa nós vamos até o produtor e ao trabalhador rural oferecer cursos de capacitação para que eles possam estar mais preparados e para que sejam valorizados. Trabalhamos muito na área de promoção social, principalmente orientado os familiares da agricultura familiar para que não fiquem totalmente dependentes da renda do chefe de família, mas que toda família contribua com o aproveitamento de subprodutos que geralmente são jogados fora.
De qual forma esses cursos foram aplicados?
Ensinamos a aproveitar os recursos necessários para desenvolver trabalhos manuais, como bolsas, cartões de visita, convite de casamento; tudo isso com subprodutos, como folha de bananeira, palha de milho e várias outras coisas. Temos 'N' ações no sentido de capacitar pessoas a desenvolverem esse trabalho. Hoje, o proprietário rural que queira participar do programa tem condições de se preparar melhor. Paralelo a tudo isso tivemos as ações do Sindicato Rural, como a realização das festas em que nós procuramos fazer com que a população viesse conhecer o Sindicato e, consequentemente, conhecer melhor aquilo que o produtor do sindicato de Anápolis tem a oferecer com um todo. Com as escolas nós conseguimos desenvolver o Agrinho, que é um programa que trabalha a criança no ensino fundamental fazendo com que ela desperte o interesse pela preservação do meio-ambiente. Através da escola a criança leva aquilo que aprendeu para a família e a família leva para a comunidade. Hoje a preservação do meio-ambiente é uma ação preocupante; disso depende a agricultura brasileira. Um meio-ambiente bem preservado é certeza de uma produtividade melhor. Dentro do Agrinho nós desenvolvemos trabalhos representativos. Trabalhamos bastante atentos à reforma do Código Florestal. O Sindicato desenvolveu diversas ações. Buscamos e oferecemos parcerias. Com a Prefeitura, que é quem está mais próxima de nós, fomos atendidos em várias reivindicações.
Qual é sua proposta para este novo mandato?
Queremos dar continuidade ao que deu certo na primeira administração e buscarmos uma aproximação com o produtor rural levando a ele a confiabilidade do Sindicato junto à classe. Conseguimos aumentar bastante o nosso número de filiados e buscar aqueles que ficavam mais distantes. Com relação às festividades, estamos iniciando este mandado com uma parceria com a PBR, que organiza circuitos internacionais de rodeio. Rio Verde, que tem um sindicato rural bastante atuante já recebe uma etapa e vamos trazer uma para Anápolis. Essa etapa que virá para Anápolis conta com a parceria da Santarena, empresa promotora de eventos da Brahma, que vai fazer a exploração da praça de alimentação e consequentemente o patrocínio que vier é vai realizar uma etapa desse torneio que vai reunir em Anápolis os 40 melhores peões do mundo. Teremos a presença do campeão mundial Adriano Moraes.
Há algum tempo existe uma especulação acerca de uma possível venda da área que abrange o Sindicato e o Parque Agropecuário. Em que pé estão essas conversas?
Hoje dependemos apenas de uma sinalização do governo do estado que ficou de nos oferecer uma área, a título de comodato, para que nós pudéssemos localizar a sede do Sindicato Rural. Estávamos dependendo de mostrar ao governo um projeto de que o Sindicato teria condições, ele próprio, de assumir as edificações do novo parque agropecuário; isso nós já apresentamos e está sendo apreciado. O governo também sinalizou uma área dentro do aprendizado agrícola, próxima ao convento dos freis franciscanos, ao lado do local onde será construído o centro de convenções. Estamos aguardando apenas a sinalização, até porque temos grupos empresariais interessados por esta área. O diretor do Bretas (rede supermercadista) veio até aqui e já temos assinado com ele um contrato de preferência de compra. Eles querem uma área de 10 metros quadrados, chegaram a fazer proposta muito atrativa, mas não podemos desfazer só desse espaço; aqui são 60 mil metros quadrados. Ficaram de analisar possibilidade de comprar 30 mil metros quadrados, o que dá para fazer, estamos aguardando a contraproposta que deve sair em breve.
Existe algum grupo da construção civil interessado no espaço?
Tem uma firma francesa que tem intenção de construir mil apartamentos no local. Um representante deles também já esteve aqui e nos fez uma proposta; nós estamos aguardando um contrato que eles devem fazer conosco, inclusive queriam depositar para nós R$ 1,5 milhão para segurar o negócio, mas antes de aceitarmos qualquer proposta temos que colocar para apreciação de uma assembleia.
Hoje a preferência de compra é do Estado ou da iniciativa privada?
Com o governo está descartado. Não houve manifestação de interesse. Primeiro oferecemos para a Prefeitura; estávamos dispostos em uma permuta: um novo parque construído em troca desta área, mas não houve interesse. Partimos para o Estado com a mesma proposta; houve até certo interesse, mas acharam que o valor da área é muito, R$ 20 milhões. Hoje nós já temos recebido propostas de R$17 milhões.
Além de representante ruralista o senhor tem atuação no meio político. Como está o seu relacionamento político com a executiva municipal do PMDB, partido do qual o senhor pediu desfiliação e posteriormente, com ressalvas, retornou?
Teve certo constrangimento no meu retorno, mas acredito que isso já foi superado. Tenho muita simpatia por parte do Diretório e têm alguns que foram contra, mas por motivos particulares. Independentemente de política temos um bom relacionamento. Hoje o meu convívio com o partido é bom; eu confio no presidente Air Ganzarolli, que é bastante sensível, bastante preparado, uma pessoa que tem o equilíbrio muito grande, ele é uma pessoa sensata. A política é a arte de somar. Resistência? Em certo momento eu acredito que exista por ciúmes do espaço que pode estar sendo invadido pelo outro, essas coisas, a priori, passam e ficam a necessidade do partido. Se pensarmos no partido, acredito que alguma contribuição eu tenho como dar. Eu estou disponível para o que o partido precisar. Voltei, menos para candidatar a vereador, que é uma coisa que eu já fiz, já fui, passou. Posso contribuir agora em outros níveis. Toda a minha participação política foi no PMDB, eu tenho uma história dentro do partido e por isso eu coloco meu nome à disposição para uma candidatura majoritária se for de interesse e houver consenso. Não quero dizer que o nome escolhido tenha que ser o meu, sei que outros também têm o direito e vão apresentar seus nomes.
Seu retorno ao PMDB dependeu de orientação dada pelo prefeito Antônio Gomide?
O prefeito realmente me convidou para que eu pudesse estar filiando a um partido aliado ao dele.
Chegou a ser sugerido algum partido?
Ele pediu para filiar em um partido aliado para que pudéssemos trabalhar juntos. Na Câmara nós já trabalhamos juntos como opositor. Existe certa afinidade entre o prefeito Antônio Roberto Gomide e o ex-vereador e hoje presidente do Sindicato Rural de Anápolis José Caixeta. Como presidente do Sindicato Rural tenho tido apoio irrestrito do prefeito. Ele tem nos apoiado e eu tenho procurado colocar o Sindicato Rural à disposição da Prefeitura através de várias parcerias que temos feito. Fizemos parceria com a Diretoria de Agricultura; a Secretaria de Cultura, que tem agido efetivamente dentro do Sindicato.
Então não houve nenhuma sinalização do prefeito quanto a partido?
Ele falou um partido companheiro. Eu quem manifestei a ele se o PMDB era uma boa para fazer minha filiação e ele disse: "ótimo". Não falo que ele me indicou, mas que tenha incentivado meu retorno ao PMDB.
O senhor tem chance de integrar a chapa do PMDB?
Dentro da visão nacional é uma chance muito grande, eu diria que 50%, mas podemos coligar sem participar da chapa porque hoje temos uma administração muito aceitada, uma administração pura PT/PT. Acho que em time que está ganhando não se mexe. Eu respeito muito o vice-prefeito João Gomes e acho que seria muito bom que se mantesse, a não ser que o PT tenha outros planos para ele. Segundo informações, existe um direcionamento de cima para baixo, de Brasília, passando pelo estado, para que nos municípios o PT coligue com o PMDB, essa seria uma orientação do Diretório Nacional do PT que quer manter esta coligação que tem dado muito certo em Brasília e Goiânia. Dentro desse posicionamento existe grande chance do PT também coligar com o PMDB aqui em Anápolis.
Qual o peso da função do vice para o partido?
É um cargo muito importante. A reeleição do Antônio Roberto é praticamente certa, ninguém duvida disso, mas eleição é eleição.






